Sabores de esperança: por que certos alimentos se tornaram símbolos do Ano Novo
Na virada do ano, a mesa costuma ganhar um significado que vai além da celebração. Em diferentes culturas, determinados alimentos são associados à prosperidade, fartura e bons presságios para o ciclo que se inicia. No Brasil, essas tradições atravessaram gerações e continuam presentes, inclusive em Santa Catarina, onde a diversidade cultural influencia os costumes do fim de ano.
Porco, lentilha, uva e peixe estão entre os alimentos mais simbólicos do Réveillon, cada um carregando histórias e significados que ajudam a explicar por que permanecem no imaginário coletivo.
O porco como símbolo de progresso
A tradição de consumir carne suína no Ano-Novo tem origem europeia, especialmente em países como Alemanha, Áustria e Itália. Culturalmente, o porco é associado à ideia de avanço e prosperidade, já que o animal se movimenta sempre para frente, simbolizando progresso e evolução.

Com a forte influência da imigração europeia em Santa Catarina, especialmente italiana e alemã, o consumo de carne suína no fim do ano tornou-se comum em muitas regiões do estado. Pratos como leitão, pernil e receitas típicas reforçam essa herança cultural, que atravessa gerações e se mantém viva nas ceias de Ano-Novo.
Lentilha representa fartura e estabilidade financeira
A lentilha é um dos alimentos mais populares do Réveillon brasileiro. A tradição remonta à Roma Antiga, onde o grão era associado à prosperidade por seu formato semelhante ao de moedas. Acreditava-se que consumir lentilhas na virada do ano atrairia riqueza e estabilidade financeira.

No Brasil, o costume foi incorporado principalmente por influência europeia e se consolidou como um símbolo de fartura. Em Santa Catarina, a lentilha aparece tanto em preparações simples quanto em pratos elaborados, reforçando o significado de abundância e bons desejos para o ano que começa.
Uvas e a simbologia dos desejos
Outra tradição bastante difundida é o consumo de uvas na virada do ano. O costume, de origem espanhola, sugere que se coma uma uva a cada badalada da meia-noite, totalizando 12, cada uma representando um desejo ou um mês do ano.

Embora adaptada de diferentes formas no Brasil, a prática simboliza esperança, planejamento e intenção, valores frequentemente associados ao início de um novo ciclo.
Peixe e a ideia de continuidade
Em diversas culturas, o peixe é visto como símbolo de abundância e continuidade da vida. Por nadar sempre para frente, também carrega a ideia de progresso.

No litoral catarinense, o peixe assume ainda um papel cultural e econômico, sendo presença frequente nas mesas de fim de ano, especialmente em cidades costeiras.
Tradição que se adapta ao tempo
Especialistas em cultura alimentar destacam que essas tradições não estão ligadas apenas à superstição, mas ao desejo coletivo de iniciar o ano com símbolos positivos. Ao longo do tempo, os costumes se adaptam, mas o significado permanece: reunir pessoas, compartilhar alimentos e projetar boas expectativas para o futuro.
Em Santa Catarina, a mistura de influências culturais reforça essa diversidade à mesa. Mais do que seguir rituais à risca, o fim de ano se transforma em um momento de conexão entre passado e presente, tradição e novos hábitos.
Comer também é celebrar
À medida que o Ano-Novo se aproxima, os alimentos ganham um papel simbólico que ultrapassa o sabor. Comer, nesse contexto, é também celebrar, desejar e recomeçar. As tradições alimentares do Réveillon ajudam a contar histórias, preservar culturas e reforçar a esperança de um novo ano mais próspero.
