De Treviso para o mundo: cuteleiro do Sul de Santa Catarina leva arte para evento internacional
Entre montanhas, natureza e tradição italiana, a pequena cidade de Treviso, no Sul de Santa Catarina, também guarda talentos que ultrapassam fronteiras. Um deles é o cuteleiro Fagner Adelungue, que transforma aço em verdadeiras obras de arte e se prepara para representar a região em um grande evento internacional de cutelaria, que acontece em novembro, em Córdoba, na Argentina.
Morando em Treviso há cerca de dois anos, Fagner escolheu a cidade justamente pela qualidade de vida e pela tranquilidade necessária para se dedicar à produção artesanal de facas. O trabalho, feito com técnicas tradicionais e atenção minuciosa aos detalhes, atrai colecionadores e apaixonados por cutelaria de diferentes países.

Natural de São Paulo, ele iniciou na profissão em 2016, após perder o emprego como metalúrgico. O que começou como uma alternativa para gerar renda acabou se transformando em uma verdadeira paixão.
Com o passar dos anos, o artesão buscou conhecimento, realizou cursos e passou a se conectar com grandes nomes da cutelaria mundial. Hoje, é membro da American Bladesmith Society (ABS), uma das instituições mais respeitadas do setor.
O reconhecimento do trabalho já ultrapassa as fronteiras do Brasil. Fagner possui peças em diferentes países e chegou a participar de um dos maiores livros dedicados à cutelaria no mundo, o Legacy of Steel. Além disso, também foi convidado para integrar um dos maiores manuais internacionais sobre o tema, que ainda será lançado.
Atualmente, o cuteleiro trabalha em peças especiais que serão enviadas para Dubai, algumas avaliadas em mais de R$ 15 mil. Cada faca pode levar de três a cinco dias para ficar pronta em modelos mais simples, enquanto peças de alto nível podem exigir até 30 dias de trabalho.

Entre os clientes, estão principalmente colecionadores, amantes de churrasco e pessoas que valorizam produtos artesanais exclusivos.
Agora, a próxima etapa da trajetória será a participação na grande feira de cutelaria em Córdoba, na Argentina, onde o objetivo é concorrer em diferentes categorias e trazer prêmios para o Brasil.
Mais do que reconhecimento profissional, Fagner destaca que levar o nome de Treviso para o exterior é motivo de orgulho.

“Para mim é muito importante representar a cidade e mostrar que, mesmo em lugares pequenos, existem pessoas produzindo trabalhos reconhecidos internacionalmente”, afirma.
Para quem visita o Sul de Santa Catarina em busca de experiências autênticas, histórias como a de Fagner mostram que o turismo na região também passa pela valorização do talento local, da cultura artesanal e da dedicação de quem transforma tradição em arte.
Interessados em conhecer mais sobre o trabalho do artesão podem acompanhar o perfil no Instagram: @cutelariaadlunge.
